"Quanto cobrar por publicidade no Instagram" é a pergunta que trava mais criador do que qualquer dificuldade técnica. A resposta honesta é que não existe tabela oficial, e qualquer lista que prometa um número exato para o seu tamanho de conta está chutando.
O que existe é um método. Ele parte dos seus números, não dos de uma tabela genérica, e produz um preço que você consegue defender quando a marca perguntar de onde saiu. É isso que este guia faz.
Por que não existe tabela oficial
Duas contas com 30 mil seguidores podem valer valores muito diferentes para a mesma marca. O que separa uma da outra:
- Alcance real. Seguidor não é audiência. O que a marca compra é quanta gente vê, e isso hoje depende muito mais da distribuição do que do número de seguidores.
- Engajamento. Uma conta menor com comunidade ativa entrega mais resultado do que uma grande e parada.
- Nicho. Finanças, saúde e tecnologia costumam pagar mais que entretenimento geral, porque o cliente final vale mais.
- Direitos de uso. É a variável que mais muda o preço, e a que quase ninguém cobra separado.
Por isso a pergunta certa não é "quanto cobra alguém do meu tamanho", é "quanto vale o que eu vou entregar nesta campanha específica".
O método: calcule pelo seu alcance
Abra as estatísticas da sua conta profissional e anote as médias dos últimos 30 a 90 dias, separadas por formato. Use a média, nunca o seu melhor post: o seu melhor post é uma exceção, e prometer exceção é uma promessa que você não controla.
A conta base é simples:
alcance esperado da peça ÷ 1.000 × o seu valor por mil
Esse "valor por mil" é o número que você define e mantém estável entre propostas. Ele sobe quando o seu nicho é caro, quando a sua taxa de engajamento está acima do normal para o seu tamanho, quando a produção é trabalhosa (roteiro, locação, edição longa) e quando a marca quer o conteúdo com exclusividade. Não existe valor por mil correto: existe o seu, coerente e defensável.
Um exemplo com números redondos. Se os seus reels alcançam em média 20 mil pessoas e você trabalha com R$ 25 por mil, a base do reels fica em R$ 500. Se a marca quiser rodar esse mesmo reels como anúncio por três meses, isso não está incluído nos R$ 500, entra como item separado.
Trabalhar assim tem uma vantagem grande na negociação: quando a marca pede desconto, você não corta o preço no escuro, você reduz o escopo. Menos peças, menos tempo de uso, sem exclusividade.
Faixas de mercado, com o aviso na frente
As faixas abaixo são ordens de grandeza que circulam no mercado brasileiro, reunidas para você não pedir algo fora da realidade. Não são tabela oficial e os valores variam muito por nicho, região, formato e direitos de uso. Use como ponto de partida, e confirme com criadores do seu próprio nicho.
- Nano, até cerca de 10 mil seguidores: dezenas a poucas centenas de reais por entrega.
- Micro, de 10 mil a 50 mil: algumas centenas até a casa do milhar por entrega.
- Médio, de 50 mil a 200 mil: de um a alguns milhares de reais por entrega.
- Acima disso: caso a caso, sem faixa útil, porque o peso passa a ser a negociação e os direitos.
Repare que as faixas se sobrepõem de propósito. Um perfil de 8 mil seguidores muito engajado, em um nicho caro, cobra mais que um de 40 mil disperso. É o motivo de o método valer mais que a tabela.
O formato muda o preço
Nem toda entrega custa igual, porque nem toda entrega alcança igual nem dá o mesmo trabalho.
- Stories. Somem em 24 horas e alcançam sobretudo quem já segue. Raramente se vende um isolado: precifique uma sequência de três a cinco, com link ou cupom.
- Post no feed. Fica no perfil e continua sendo visto depois. Vale mais que um story avulso.
- Reels. Costuma alcançar além dos seguidores, e é o formato de maior valor na maioria das negociações hoje.
- Combo. Reels mais sequência de stories mais post fixado. Venda como pacote com um leve desconto no conjunto, nunca somando os itens pelo preço cheio.
- Conteúdo entregue sem publicar (UGC). Você grava e entrega o arquivo, a marca publica onde quiser. É outro produto, precificado por entrega e por direitos, não por alcance.
Os extras que quase todo mundo esquece
Aqui está o dinheiro que fica na mesa. Nenhum destes itens está incluído no preço da publicação, e todos devem aparecer separados na proposta:
- Uso em anúncio pago. A marca impulsionar o seu conteúdo é o extra mais valioso, porque ela coloca verba para amplificar o seu rosto. Cobre por canal e por prazo.
- Prazo de uso longo ou indeterminado. "Perpétuo" e "irrevogável" são caros. Se aceitar, precifique.
- Exclusividade. Bloquear a categoria por trinta ou noventa dias significa recusar outros trabalhos. Some o que você deixaria de ganhar.
- Urgência. Entrega para depois de amanhã custa mais do que entrega para daqui a duas semanas.
- Produção acima do simples. Roteiro elaborado, locação, figurino, edição longa, legendagem.
- Arquivo bruto. Entregar o material sem edição é uma cessão a mais, não um favor.
- Rodadas extras de alteração. Duas incluídas, as seguintes cobradas.
Cada um desses itens precisa estar escrito, ou vira discussão depois da entrega. O detalhe de como redigir cada cláusula está no guia de contrato de influenciador digital.
Quando a marca pergunta o preço antes do briefing
"Qual o seu valor?" na primeira mensagem é a situação mais comum, e a que mais faz criador errar. Responder um número seco ali significa chutar sem saber quantas peças, por quanto tempo e com que uso.
Não fuja da pergunta, devolva com escopo. Uma resposta que funciona tem três partes: uma faixa de partida, as variáveis que a movem e duas ou três perguntas objetivas.
Por exemplo: "Meus valores para o Instagram começam em X por entrega. O preço final depende de quantas peças, do prazo e de por quanto tempo vocês querem usar o conteúdo, principalmente se houver impulsionamento. Me conta três coisas e mando a proposta hoje: quais formatos, qual o período de veiculação e se vocês pretendem rodar o conteúdo como anúncio."
Isso mostra que existe um método por trás do número, evita que o valor pareça inventado e transfere a conversa para o escopo, que é onde você quer negociar. Se a marca insistir em um valor fechado sem dar o escopo, é sinal de campanha mal definida, e vale precificar por cima.
Como apresentar o preço
O preço não chega sozinho, chega dentro de uma apresentação. É por isso que o mídia kit importa: ele responde às perguntas da marca antes que o valor apareça, e um número visto depois dos seus dados parece justificado, enquanto o mesmo número solto parece caro.
Três regras ao escrever:
- Diga o que está incluído, item por item, e o que não está.
- Coloque validade no preço, algo como 30 dias. Isso protege você quando os seus números crescerem.
- Trabalhe com faixa, não com preço fechado, quando o escopo ainda não está definido. "A partir de X, conforme direitos de uso e prazo" é honesto e evita se prender cedo demais.
O que colocar em cada seção do documento e como manter os números atualizados está no tema de mídia kit e parcerias.
Quando dizer não
Recusar é parte da precificação, e três situações justificam:
- O valor não cobre o trabalho. Se a produção pedida come um dia inteiro, um cachê simbólico é prejuízo.
- Exclusividade longa por preço de campanha curta. Você está vendendo meses de agenda pelo preço de um post.
- Escopo indefinido. "Vamos alinhando" costuma virar o dobro de entregas pelo mesmo valor.
E um caso especial: quando a marca oferece só permuta em troca de direitos amplos. Produto em vez de dinheiro pode fazer sentido no começo, mas cedendo uso em anúncio por tempo indeterminado, não faz.
O argumento que sustenta um preço é a prova de que a sua audiência age. Com o Spotilink você monta uma página de recomendações onde cada ficha é feita à mão, com a sua foto, a sua opinião e um cupom para copiar, e o botão Saiba mais leva o clique até a loja, sem preço à vista. Você vê quantos cliques cada ficha envia, um número concreto para mostrar na negociação. A URL personalizada está inclusa no plano grátis e são 0% de comissão sobre os seus ganhos de afiliação. Limite honesto: o Spotilink mostra cliques, nunca vendas nem valores, então use o dado como sinal de interesse, não como resultado de venda.
Reveja o seu preço a cada trimestre
Preço não é decisão única. A cada três meses, olhe de novo o alcance médio por formato, a taxa de engajamento e quantas propostas você recusou por valor. Se você não recusa nenhuma, o seu preço está baixo.
E se você é gerenciado por alguém, ou gerencia outros criadores, a mesma lógica vale para o casting inteiro: preço por talento, calculado pelos números daquele talento. Como isso se organiza na prática está no guia de agência de influenciadores digitais.
Comece pelo que você já tem: abra as suas estatísticas, calcule o alcance médio de cada formato e escreva a sua primeira proposta com os itens separados. É a diferença entre chutar um valor e defender um.
